Candidatos fazem apostas diferentes no mapa global

Portal Plantão Brasil
22/7/2014 14:28

Candidatos fazem apostas diferentes no mapa global

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583 visitas - Fonte: Brasil 247

Política externa do Brasil será fortemente aprofundada ou radicalmente alterada, a depender de quem vença as eleições outubro; presidente Dilma Rousseff vai repicar aposta em fortalecimento dos Brics e da Unasul; senador Aécio Neves e ex-governador Eduardo Campos, ao contrário, querem promover aproximação com Estados Unidos e acelerar acordos bilaterais de comércio, em lugar de negociações em grupo; "Nossa atual política externa privilegia o alinhamento ideológico", disse Aécio, ontem, após encontro com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso; "O Mercosul não pode impedir o Brasil de avançar", registrou Campos a empresários da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos; "O Mercosul garante empregos no Brasil e na região", demarca Dilma em pronunciamentos; divergências de sobra



Aceleração no rumo atual ou guinada de 180 graus em relação ao caminho percorrido nos últimos 12 anos em matéria de política externa. Não é menos do que isso o que irá ocorrer com a política externa brasileira a partir do resultado das eleições de outubro. As visões de mundo dos três principais candidatos são em tudo diferentes entre si. E, cada um ao seu modo, Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos não escondem as pistas do que pretendem fazer caso estejam à frente do governo a partir de 2015.



Jogando pesado no fortalecimento do Mercosul e da Unasul como blocos de cooperação econômica e alinhamento político, a presidente Dilma Rousseff verá sua construção regional deslizar como um castelo de areia tanto na opção do público por Aécio, como na escolha a favor de Campos.



Falando a membros da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em São Paulo, no mês passado, quando transmitiu as linhas gerais de sua plataforma externa, o candidato do PSB deixou claro não tem o eixo Mercosul-Unasul como prioridade. "Precisamos de uma diplomacia comercial de resultados", disse Campos. "É muito melhor realizar acordos bilaterais do que enfrentar as dificuldades de convencer todo um bloco de países a fazer o mesmo". Ele se comprometeu a derrubar barreiras tarifárias existentes na relação com os EUA e aproximar as duas economias. "O Mercosul não pode ser um peso para o Brasil. Temos de agir rápido para crescer e criar empregos. Não dá para esperar até que todas resolvam seguir juntos".



Um dos responsáveis pelo programa de política externa do PSDB, em ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa já anuncia que, se Aécio Neves se eleger, haverá uma ruptura completa com as diretrizes da atual política externa do País. "Haverá uma reavaliação das prioridades estratégicas", registrou ele, citando o programa para a área internacional recém-divulgado pelo tucano.



Pessoalmente, Aécio quer mudar todo o modo de relacionamento com os vizinhos da América do Sul. Ele e o PSDB são opositores de primeira hora do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, frios em relação à Argentina de Christina Kirchner e adversário ideológicos de presidentes como Evo Morales, da Bolívia, e Rafael Corrêa, do Equador. Com o Chile de Michele Bachelet, no entanto, o diálogo poderá ser mais próximo. Quem deu a pista foi o ex-presidente Fernando Henrique:



- Encaramos a Aliança do Pacífico (da qual o Chile participa com os Estados Unidos) como uma oportunidade de integração do continente. Se o Brasil jogar o seu peso, o Mercosul também vai convergir para esse caminho. Mas com Dilma, a Aliança continuará sendo vista como uma ameaça para a integração.



O próprio Aécio tem batido duro na política externa do governo. Ontem, ele se encontrou com o presidente da Comissão Européia, o português José Manuel Durão Barroso, para entender, do ponto de vista europeu, o que está impedindo a assinatura de um acordo comercial com o Mercosul.



- Infelizmente, nossa atual política externa privilegia o alinhamento ideológico em detrimento de parcerias comerciais, atacou o candidato do PSDB. "No momento em que o atual governo deixar de buscar apenas aliança com os seus vizinhos, mas alianças que possam ajudar a desenvolver a nossa economia, o entendimento com a União Europeia vai avançar".



É completamente diversa a visão da presidente Dilma. Ela acaba de liderar a aproximação dos Brics com os países da Unasul, bloco político que o Brasil ajudou a fundar. O governo brasileiro, num detalhe, deu tratamento privilegiado ao presidente de Cuba, Raúl Castro, que pernoitou na Granja do Torto, e a própria Dilma, ao receber o presidente russo, Vladimir Putin, elogiou as posições do país nos conflitos do Oriente Médio e em apoio a posições brasileiras na ONU, em especial a discussão sobre a espionagem promovida da governo dos EUA. O episódio da descoberta de grampos sobre os computadores da presidente levou Dilma, no ano passado, a cancelar uma vista de Estado a Washington.



Fã do fortalecimento dos laços políticos entre os países latino-americanos, Dilma, sempre que pode, elogia o Mercosul que seus adversários tentarão esvaziar:



- Com medidas reconhecidas como legais pela OMC, o Mercosul tem conseguido proteger as economias e os empregos da nossa região.



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