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O submundo de violência, espionagem e blindagem financeira que orbitava em torno do Banco Master sofreu mais um vazamento devastador. Com a queda do sigilo determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a Polícia Federal trouxe a público mensagens telefônicas explosivas contendo ameaças de Joana Machado de Moraes Mourão contra a cúpula da organização criminosa. Joana é irmã de Luiz Phillipi Mourão, conhecido no bando pelo codinome de "Sicário" — o braço direito do ex-banqueiro Daniel Vorcaro encarregado de perseguições, intimidações e levantamentos clandestinos de opositores. Após a prisão e a morte cerebral de "Sicário" em março deste ano, classificada nos laudos como suicídio, sua irmã entrou em rota de colisão com os antigos chefes, exigindo vultosas somas de dinheiro para não entregar o arquivo secreto da quadrilha à imprensa.
De acordo com o relatório da PF, a morte de Luiz Phillipi deixou sua família em severas dificuldades financeiras, o que levou Joana a iniciar uma ofensiva de cobranças e chantagens contra os líderes do clã. Em uma mensagem explícita interceptada no dia 7 de maio, enviada logo após a prisão de um primo de Daniel Vorcaro, Joana mirou o patriarca do grupo, Henrique Vorcaro, preso recentemente na sexta fase da operação. "Já foi o filho, o genro, hoje o sobrinho. No que depender de mim, HV [Henrique Vorcaro] será o próximo. Domingo já coloco tudo no Fantástico e no Cabrini dessa família maldita!!!", disparou a mulher, deixando em pânico os operadores do banco.
Para conter o vazamento do dossiê que prometia "acabar com a família maldita", entrou em cena o operador Manoel Mendes Rodrigues, o "Manolo", apontado pela PF como o chefe do núcleo de coação batizado de "A Turma". Os diálogos revelam que Manolo montou uma operação de contenção de danos, reunindo-se às pressas com a mãe de Joana, Denise Mourão, para costurar um acordo financeiro clandestino. Em relatório enviado ao STF, os investigadores interceptaram a mensagem em que Manolo presta contas a Henrique Vorcaro sobre o cala-boca: "Henrique, boa noite. Estamos conversando com a mãe aqui. Vamos passar os contratos dos ativos pertinentes ao nosso amigo para o nome dela, mãe, para resolver a questão".
A Polícia Federal suspeita que essa negociação tenha sido o estopim para uma nova operação de lavagem de dinheiro da quadrilha. Dias após o encontro, Joana cobrou de Manolo a entrega dos papéis: "Que dia posso assinar o contrato, sabe se já está pronto?". O cruzamento de dados feito junto à Receita Federal revelou que ela assumiu o controle da JM Consultoria e Participações Imobiliárias Ltda., uma empresa com capital social de R$ 1 milhão, usada presumivelmente para receber bens e repasses dissimulados que pertenciam ao falecido "Sicário". A teia criminosa dos Vorcaro desmorona à medida que a PF avança sobre os logs de acesso ilegal a sistemas policiais comprados pelo clã e sobre a queima de arquivos que tentou apagar os rastros do maior escândalo financeiro do país.
Com informações do g1
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