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O avanço do bolsonarismo encontra mais um obstáculo intransigente criado pelas suas próprias disputas internas e pela ganância de poder de seus integrantes. O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, bloqueou firmemente qualquer possibilidade de a federação formada por seu partido e pelo União Brasil apoiar a eventual candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026. Esse veto representa um golpe profundo nas pretensões do clã, que vê naufragar a tentativa de construir uma base partidária ampla para tentar fazer frente ao favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O racha entre as lideranças da direita escancara a falta de solidariedade e o oportunismo que movem o grupo político do antigo regime. Ciro Nogueira decidiu travar a aliança motivado pelo ressentimento, após considerar insuficiente o apoio recebido de Flávio Bolsonaro quando o piauiense foi alvo de uma operação da Polícia Federal em maio. Na época, Flávio preferiu classificar as suspeitas contra o colega como graves, o que gerou uma resposta pública igualmente dura de Ciro, que defendeu a punição exemplar do filho do ex-presidente quando vieram a público áudios comprometedores envolvendo pedidos de recursos financeiros ao empresário Daniel Vorcaro.
Como as regras eleitorais exigem que os partidos de uma federação caminhem juntos, a resistência inabalável de Ciro Nogueira anula o desejo de Antonio Rueda, presidente do União Brasil, que se mostrava disposto a se aliar aos remanescentes do bolsonarismo. A situação de isolamento da extrema direita é agravada pela soberba e pela total falta de articulação política da equipe de Flávio Bolsonaro, que até o momento sequer procurou formalmente os dirigentes de ambas as legendas para abrir negociações ou debater uma composição de chapa.
Para piorar o cenário do parlamentar fluminense, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro tem pressionado para que a vaga de vice-presidente seja ocupada pela deputada federal Júlia Zanatta, desenhando uma chapa "puro-sangue" formada integralmente por membros do Partido Liberal. Essa tentativa de centralizar o poder e excluir os aliados tradicionais esvaziou por completo o interesse do Progressistas e do União Brasil, cujos caciques preferem manter a neutralidade e assistir de longe ao desgaste da candidatura extremista, enquanto reconhecem internamente a liderança do presidente Lula na corrida eleitoral.
Mesmo com pesquisas internas da federação apontando que Flávio Bolsonaro conseguiu estancar parte da perda de intenções de voto decorrente do escândalo de corrupção apelidado de "Dark Horse", os líderes partidários sabem que a viabilidade eleitoral do projeto bolsonarista desmoronou sem o suporte do Centrão. Sem a aliança estruturada, o Partido Liberal perderá a chance de alcançar 57% do tempo de antena no horário eleitoral gratuito, ficando restrito a cerca de 35% do espaço de rádio e televisão, enquanto a candidatura democrática de Lula desponta com confortáveis 49% do tempo total de exposição.
Com informações do Brasil 247
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