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O governo do Irã elevou a tensão geopolítica ao declarar que o país está em estado de prontidão total para uma guerra, apesar de afirmar que não busca o conflito armado. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, enviou um recado direto aos adversários durante um encontro com diplomatas em Teerã, alertando que qualquer "erro de cálculo" terá consequências severas. Segundo o chanceler, a preparação militar iraniana hoje supera o nível de prontidão visto durante os sangrentos confrontos com Israel em junho de 2025, quando o país foi alvo de bombardeios devastadores que resultaram na morte de mais de mil pessoas.
Enquanto ameaça o cenário externo, o regime islâmico endurece o punho contra sua própria população. O chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Eje’i, convocou medidas "decisivas e eficazes" contra os manifestantes que participam dos protestos generalizados que já entram na segunda semana. Em uma retórica típica de sistemas autoritários, a liderança iraniana classifica a revolta popular — motivada pelo custo de vida insuportável — como um movimento estimulado por agentes estrangeiros, ignorando o legítimo desespero do povo sob a mão de ferro de Ali Khamenei.
A justiça iraniana já estabeleceu como prioridade a punição severa contra aqueles que atacam prédios públicos ou infraestrutura urbana, tratando os distúrbios como atos de guerra. Com mais de 100 agentes de segurança mortos em confrontos, o Judiciário fala em "retaliação" em nome dos mártires do estado. Essa postura sinaliza que o regime não tem qualquer intenção de ceder às pressões democráticas, preferindo o caminho da violência e da censura para tentar manter o líder supremo, de 86 anos, no poder a qualquer custo.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump aproveita a instabilidade para reafirmar sua política externa agressiva. Trump declarou publicamente que estuda uma ação militar "muito forte" contra o regime de Teerã em resposta à repressão aos direitos humanos. Embora tenha mencionado que lideranças iranianas tentaram abrir canais de negociação com Washington, o presidente americano foi enfático ao dizer que o ataque pode ocorrer antes mesmo de qualquer tentativa de diálogo, mantendo o regime de Khamenei sob constante pressão psicológica e bélica.
O cenário é de um Irã encurralado entre a fúria das ruas e as ameaças externas. As manifestações atuais representam o maior desafio enfrentado pela teocracia iraniana em décadas, expondo as rachaduras de um sistema que gasta recursos em armamentos enquanto a população sofre com o colapso do rial e a inflação galopante. A insistência de Araghchi em exigir "respeito mútuo" nas negociações soa contraditória diante de um governo que não respeita a vida e a dignidade de seus próprios cidadãos, que hoje clamam por liberdade nas praças de Teerã.
O destino do Irã parece caminhar para uma encruzilhada perigosa onde o autoritarismo de Khamenei e o intervencionismo de Trump podem resultar em um novo banho de sangue. Enquanto o regime tenta desviar o foco da crise interna agitando a bandeira da guerra externa, o mundo observa com apreensão. O fortalecimento do Estado Democrático de Direito e a justiça social continuam sendo os únicos caminhos para uma paz duradoura, algo que a atual liderança iraniana, mergulhada em dogmatismos e violência, parece incapaz de oferecer.
Assista:
Iran’s FM Abbas Araghchi says his country is ready for war but also for dialogue, after US President Donald Trump said the US is considering ‘very strong options’ in response to Iran’s crackdown on anti-gov’t protests. pic.twitter.com/5migWC9k9l
— Al Jazeera English (@AJEnglish) January 12, 2026