179 visitas - Fonte: Plantão Brasil
As grandes plataformas digitais, conhecidas como big techs, têm resistido a regulamentações locais, desafiando a soberania informacional e democrática do Brasil. Sob a influência do governo Trump, essas empresas adotaram posturas mais agressivas contra legislações nacionais, consolidando-se como agentes políticos globais. Recentemente, o fim do programa de checagem de fatos da Meta e a ausência de representantes em reuniões convocadas pela Advocacia-Geral da União (AGU) reforçam a percepção de que não pretendem se submeter ao controle estatal.
A posse de Donald Trump marca uma nova fase de alinhamento entre as big techs e a agenda da extrema-direita. Empresas como Meta, Alphabet e X utilizam sua infraestrutura tecnológica para ampliar desinformação e promover narrativas políticas que enfraquecem governos progressistas. No Brasil, a tensão cresce à medida que o governo Lula tenta implementar regulamentações para combater a desinformação e proteger a democracia. A resistência das big techs vai além da recusa em dialogar: trata-se de uma estratégia de fortalecimento de seu poder político e econômico.
O episódio do impulsionamento artificial de uma postagem de Nikolas Ferreira sobre a “taxação” do PIX é um exemplo emblemático desse conflito. A publicação, recheada de desinformação, viralizou rapidamente, revelando como as plataformas podem manipular o alcance de conteúdos para favorecer interesses políticos específicos. A Meta, responsável pela amplificação do caso, inicialmente negou que suas mudanças afetariam o Brasil, mas a realidade mostrou o contrário. Esse movimento compromete a transparência e reforça a capacidade das big techs de desestabilizar instituições democráticas.
Essa relação conflituosa reflete um dilema maior: a dependência do Brasil dessas plataformas para comunicação e organização social. Embora o judiciário brasileiro tenha adotado medidas como multas e bloqueios, o poder econômico e político das big techs dificulta a criação de regulamentações efetivas. O caso brasileiro é emblemático de uma disputa global pelo controle da informação. Empresas como Meta e X utilizam sua influência para evitar regulamentações que limitem seu poder, enquanto promovem agendas que favorecem governos desregulamentadores, como o de Trump.
O conceito de “Califórnia Republic”, que une a inovação tecnológica do Vale do Silício a uma governança autoritária, ilustra a aproximação das big techs com a agenda da extrema-direita. Sob o tecnofeudalismo 4.0, essas empresas controlam dados, algoritmos e circulação de informações, consolidando-se como atores políticos globais. Para o Brasil, essa dinâmica representa um risco significativo, especialmente pela dificuldade de implementar regulação frente ao poderio econômico e à influência política dessas corporações.
Diante desse panorama, é urgente que o Brasil invista em alternativas tecnológicas nacionais, articule alianças internacionais e desenvolva mecanismos de proteção à democracia. A resistência das big techs às regulamentações não é apenas uma questão comercial, mas uma manifestação de poder político que exige uma resposta coordenada. O futuro da soberania informacional e da estabilidade democrática do Brasil depende de ações firmes para enfrentar os desafios impostos por essas corporações globais.
Com informações do DCM
Artigo no original *Por Reynaldo Aragon, jornalista e diretor executivo da Rede Conecta de Inteligência Artificial e Educação Científica e Midiática (UFF/CNPq)
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