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22/10/2021 15:09

Legado do PT é insistentemente negado por economistas neoliberais

Réplica de matéria da Folha, por : Guilherme Mello, Eduardo Fagnani e Aloizio Mercadante

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813 visitas - Fonte: Folha de São Paulo

No final de semana, a Folha publicou o artigo "Lula presidente?", do economista Rodrigo Zeidan, no qual o autor comenta a possibilidade de sucesso de um novo governo Lula e deixa claro que prefere uma suposta "terceira via". Na conclusão, diz que o saldo dos governos petistas foi negativo e acusa a esquerda de incompetência.



Cada cidadão brasileiro tem o direito de ter suas preferências políticas. Mas isso não autoriza a distorcer os dados e a história para forçar a realidade e se enquadrar nas suas preferências ideológicas. Assim só se criam narrativas fantasiosas que tantas vezes enganam o cidadão eleitor.

Não há dados que sustentem a surrada narrativa de que o sucesso do estilo de desenvolvimento distributivista dos governos petistas tenha sido um sucesso apenas no primeiro governo Lula. Para ‘demonstrar’ seus desejos, o autor ignora completamente a rápida superação da crise de 2008-2009, a saída do mapa da fome, a contínua redução da pobreza, da miséria e do desemprego, todas conquistas posteriores a 2007.

Em 2002, o Brasil ocupava a 13ª posição no ranking global de economias medido pelo PIB em dólar; em 2011, chegou a ser a 6ª maior economia do mundo; e em 2008, o país ganhou o selo de "grau de investimento" das agências de classificação de risco.



Além disso, o autor omite que a dívida pública líquida, mais importante indicador fiscal de um país, seguiu em queda durante todo o segundo governo Lula e o primeiro governo Dilma, partindo de 62%, em 2002, para 34% do PIB em 2014.

Omite também que, em todo esse período, o Brasil manteve a inflação controlada e que as reservas cambiais aumentaram mais de 20 vezes (de US$ 16,3 bilhões para US$ 368,7 bilhões, entre 2002/2015) –evento relevante, que encerrou um longo histórico de crises cambiais no Brasil.

O autor também fecha os olhos à evidência de que a dívida externa líquida, que era de 37% do PIB, em 2002, quando o Brasil estava quebrado no FMI, passou a ser negativa a partir de 2007. Ou seja, nos governos do PT o Brasil passou a ser credor em moedas estrangeiras, tendo inclusive emprestado U$ 15 bilhões ao próprio FMI na grave crise internacional de 2009.



Curiosamente, o autor também esquece de analisar os governos dos partidos que atualmente compõem a chamada "terceira via", que ele tanto defende.

A trajetória fiscal nos governos tucanos, por exemplo, foi marcada pela ampliação da carga tributária (de 27% para 33% do PIB), ao mesmo tempo em que a dívida pública líquida dobrou, saindo de 29,5% (1995) para 60,4 % do PIB (2002). E esse endividamento acelerado foi acompanhado da privatização empresas estatais estratégicas, no setor elétrico, financeiro, telecomunicações, siderurgia, mineração, dentre outras.

Além disso, o Brasil quebrou mais de uma vez, tendo que recorrer ao FMI, devido à conhecida e prolongada âncora cambial, e fechou aquele o ciclo com um apagão de energia.



*POR:
Guilherme Mello
Professor do IE-Unicamp (Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas), coordenador do programa de pós-graduação em desenvolvimento econômico do IE-UNICAMP e coordenador do Núcleo de Economia ligado a Fundação Perseu Abramo

Eduardo Fagnani
Professor colaborador do Instituto de Economia da Unicamp

Aloizio Mercadante
Doutor em economia, é presidente da Fundação Perseu Abramo, ex-deputado e senador (PT-SP), ex-ministro de Ciência e Tecnologia e da Educação e ex-chefe da Casa Civil da Presidência (Dilma Rousseff)

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