logo

29/7/2021 10:12

Congressistas contam com ajuda de Ciro Nogueira para reeleição própria e de Bolsonaro

0 0 0 0

1611 visitas - Fonte: O Globo

BRASÍLIA - Com a chegada ao Palácio do Planalto do senador Ciro Nogueira (PP-PI), nomeado formalmente nesta quarta-feira como novo ministro da Casa Civil, a expectativa do Centrão é que ele, uma das principais lideranças do grupo político, passe a liberar verbas para o reduto eleitoral de aliados e destrave a nomeações de cargos na estrutura federal. A ajuda é considerada crucial para elevar as chances de reeleição dos congressistas e do próprio presidente Jair Bolsonaro.







Com Nogueira à frente da articulação do Planalto, o PP acabará comandando os dois lados do guichê político. De um lado, estará o ministro-chefe da Casa Civil, que é presidente do partido. De outro, o deputado Arthur Lira, da mesma legenda, na presidência da Câmara. Próximos, ambos devem tabelar nas negociações envolvendo emendas e cargos. O deputado André Fufuca (PP-MA), um dos vices do partido, assumiu interinamente a presidência da legenda em substituição a Nogueira.



Como primeiro aceno aos congressistas, Nogueira deixou para a próxima quarta-feira a sua posse, às 16h, no Planalto. O novo ministro quis esperar a volta do recesso parlamentar para contar com a presença de deputados e senadores. Em áudio enviado a parlamentares na noite de ontem disse que “gostaria de contar com a presença de amigos e amigas.”







Segundo pessoas próximas, o chefe da Casa Civil também deverá convidar dirigentes de diversos partidos como um gesto de disposição ao diálogo. Embora seja improvável a presença de representantes da oposição, Nogueira quer passar o recado que não estará de portas fechadas. Ao assumir o cargo mais importante de sua carreira política, Nogueira também quer ter ao lado figuras históricas do PP, como o ex-presidente da sigla Francisco Dornelles, e familiares.



Antes mesmo de tomar posse, Nogueira já começou a despachar ontem na Casa Civil. Até domingo, segundo relatos ao GLOBO, ele deve se dedicar a identificar as principais queixas dos parlamentares e começar a montar a sua equipe. O secretário-executivo Jônathas de Castro deve ser mantido no cargo. Número dois do ministro Luiz Eduardo Ramos desde os tempos da Secretaria de Governo, ele é apontado como responsável por operar as negociações com o Centrão envolvendo a liberação de recursos e nomeações. No período, se aproximou de Nogueira e de Lira.



Na Casa Civil, Nogueira terá o desafio também de fazer a coordenação do governo, melhorar a interlocução interna e abrir portas na Esplanada dos Ministérios para partidos aliados. Já no primeiro dia fez reuniões com ministros cujas entregas podem gerar ativos para o governo. Conversou com o ministro da Cidadania, João Roma, responsável pela reformulação do Bolsa Família, cuja medida provisória é prometida para ser enviada ao Congresso em agosto.







Depois, o novo chefe da Casa Civil recebeu em seu gabinete o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. A pasta recebeu a maior fatia das emendas de relator no ano passado, equivalente a R$ 8 bilhões. Chamado de “orçamento paralelo”, esses recursos sem carimbo dos parlamentares são usados pelo Executivo para beneficiar aliados.



Nos próximos dias, o novo ministro deve seguir fazendo um périplo pela Esplanada, o que já desperta o receio de integrantes do governo por mais espaço para abrigar políticos. No Planalto, porém, a ordem é não contestar. Nogueira pediu a Bolsonaro “liberdade para trabalhar” e foi atendido pelo presidente. Em entrevista a uma rádio na terça-feira, Bolsonaro disse que estava entregando “a alma do governo” ao líder do Centrão.



Segundo um importante cacique do bloco parlamentar ouvido pelo GLOBO, a ascensão do presidente do PP é apoiada até por colegas filiados a partidos da base, mas que preferem caminhar ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ideia é aproveitar a oportunidade para atender municípios e, assim, colher dividendos eleitorais.







Recursos do orçamento



Ministros do governo também já conversam com parlamentares sobre as prioridades para a alocação de recursos no Orçamento de 2022. Na semana passada, por exemplo, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, recebeu um pedido de parlamentares. Eles estavam preocupados com a possibilidade de que a compra de tratores para o próximo ano fosse travada. Sugeriram, então, mudanças em uma portaria para garantir a aquisição de cerca de 2.000 máquinas.



Ontem, em entrevista à GloboNews, o presidente da Câmara minimizou a polêmica gerada pela falta de transparência na execução das emendas de relator no Orçamento dos dois últimos anos. Mesmo que a origem dos pedidos para alocação de recursos não seja pública, Lira disse que não há “orçamento secreto”.



— Não tem orçamento secreto, não tem orçamento paralelo. A RP9 (emenda de relator) foi prevista em Constituição, aprovada no plenário das duas Casas, na comissão do Orçamento. Quem tem o controle de ordenar as despesas é o relator geral do Orçamento — disse.







Durante a semana, a presidente da Comissão Mista de Orçamento (CMO), senadora Rose de Freitas (MDB-ES), esteve com os ministros Paulo Guedes (Economia) e Flávia Arruda (Secretaria de Governo). Ela espera que, antes do envio da Lei Orçamentária Anual (LOA), os congressistas possam ser ouvidos para que haja um diálogo sobre as prioridades.

Clique aqui para entrar no grupo de WhatsApp e receber imagens, vídeos e notícias contra Bolsonaro e o fascismo.



APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!

VÍDEO: CPI DO CAPITÓLIO NOS EUA!! EDUARDO B0LSONARO NA MIRA:



Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.



O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.


Últimas notícias

Notícias do Flamengo Notícias do Corinthians