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6/5/2021 14:52

Derrotado, Bolsonaro vai ter que sair do silêncio constrangedor sobre a decisão de Biden de quebrar patentes de vacinas

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5565 visitas - Fonte: UOL

A decisão do governo de Joe Biden de apoiar a proposta de países emergentes de suspender patentes de vacinas, durante a pandemia da covid-19 não representa apenas uma mudança de proporções históricas por parte da Casa Branca. Ela também entra para os livros como uma das piores derrotas e um dos maiores vexames da diplomacia brasileira.



Nesta quinta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, indicou que o bloco quer uma solução "pragmática" para a questão do acesso às vacinas. "Estamos prontos para discutir como a proposta dos EUA por uma suspensão de patentes pode atingir os objetivos (de maior distribuição)", disse, pela primeira vez admitido falar sobre o caminho até agora rejeitado pelos países ricos.

Ela, porém, deixou claro que num primeiro momento a forma mais eficiente de garantir vacinas é retirando qualquer restrição às exportações de insumos, um recado contra o governo dos EUA que é acusado de dificultar o acesso a certos elementos da produção.



Lançada em outubro de 2020, a proposta liderada pelos indianos e sul-africanos previa suspender patentes de todos os produtos que pudessem ajudar o mundo a dar uma resposta à pandemia que colocou o planeta de joelhos. Se implementada, a esperança era de que laboratórios por todo o mundo poderiam fabricar versões genéricas de vacinas e, assim, acelerar a imunização das sociedades, reabrir economias, salvar famintos, vidas e empregos.

Naquele momento, governos de países ricos foram alvo de um intenso lobby da indústria farmacêutica e optaram por se recusar a apoiar o projeto, que era aplaudido por vencedores do prêmio Nobel da Paz, por líderes mundiais, entidades de pacientes e mais de 60 países.

Até aí não havia novidade. No final dos anos 90, o mesmo debate ocorreu quando o tema era a Aids e o acesso aos tratamentos. Os remédios existiam, mas não para todos. Até que eles chegaram ao continente africano, mais de 9 milhões de pessoas morreram. Parte delas poderia ter sido salva.

Mas a grande novidade desta vez era a posição brasileira. Mesmo sem ter uma indústria nacional para defender, mesmo não tendo acesso às vacinas, o governo de Jair Bolsonaro seguiu as orientações de Donald Trump e passou a ser uma voz importante na estratégia de minar o projeto, arrastar o debate, impedir uma solução e atrasar qualquer definição.



O Brasil rompia, assim, sua postura história de defender a saúde acima dos ganhos econômicos, uma postura que elevou o país a líder entre os emergentes e um ator incontornável em todos os debates mundiais spbre saúde.

Mas poucos imaginavam que Biden, depois de vacinar toda sua população prioritária, promoveria um terremoto diplomático em anunciar sua nova postura. Com ela, vieram aplausos da sociedade civil, a OMS chamou Biden de "herói" e até a esquerda mundial sucumbiu em elogios a um presidente americano.

Em um ato, portanto, se posicionou como o líder em saúde global, deslocando de forma definitiva o Brasil a um espaço de irrelevante, insignificante e alvo de deboche de diplomatas, negociadores e atores da sociedade civil internacional.

Enquanto o mundo inteiro reage à decisão do americano, o Itamaraty se mantém em um silêncio constrangedor. Entre os próprios diplomatas brasileiros, os comentários vão na direção de pedir que alguém anote a placa do caminhão que atropelou o governo Bolsonaro, seus aliados incondicionais às ideias de Trump e a equipe de Paulo Guedes que acredita que, ao dar as mãos às multinacionais, será recebido com tapete vermelho pelo mundo.

Isolado, pária e ameaça ao mundo, Bolsonaro consolida sua gestão diante de analistas como uma que vai ser marcada por um dos piores vexames da diplomacia do país. Um vexame que, para milhares de brasileiros, representou a morte.



Negociação

A partir de agora, a postura americana irá pautar os debates na OMC. Para a próxima semana, indianos e sul-africanos prometem apresentar uma versão nova da proposta, na esperança de aproximar posições. Algumas das previsões indicam que um acordo poderia ser obtido até dezembro.

Do lado americano, ainda que importante, a proposta foi construída de forma a também atender aos interesses nacionais. A Casa Branca não defende a suspensão de patentes para todos os produtos que possam lidar com a covid-19. Tratamento e diagnóstico, além de máquinas e aparelhos, continuam sob proteção.

Então, por qual motivo abrir as patentes de vacinas?

Simples: uma maior produção de doses pelo mundo protegerá também os americanos, impedindo que novas variantes apareçam e que possam voltar a ameaçar a população dos EUA.

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