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3/5/2021 16:06

O maior objetivo de Lula em Brasília será aumentar o auxilio emergencial para RS$ 600,00. Será o ponto focal de sua agenda

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5202 visitas - Fonte: O Globo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa nesta segunda seu périplo por Brasília com um roteiro de visitas a embaixadas e líderes políticos. Mas, ao contrário do que parece, as articulações de Lula não começam com a visita à capital federal.







O ex-presidente está há semanas em conversas por telefone e por vídeo com interlocutores de vários partidos. Nelas, tem expressado a vontade de trabalhar pela frente ampla, prometendo dar força a alianças regionais do PT com aliados à esquerda e ao centro, e delineado uma agenda econômica para se contrapor ao governo de Jair Bolsonaro.



O ponto central do discurso do ex-presidente é o de que não é hora de fazer controle de gastos públicos no meio de uma pandemia e que, assim como os EUA, o Brasil deve emitir moeda para bancar despesas extras. Lula acha que a principal bandeira da oposição deve ser defender o aumento do valor do auxílio emergencial, de um patamar médio atual de R$ 250, com duração de quatro meses, para R$ 600 até o fim da pandemia.



“Na visão do Lula, ter uma renda emergencial neste momento não vai afetar as finanças brasileiras. É possível e razoável fazer isso”, diz a presidente do PT, Gleisi Hoffmann.



A deputada é uma das organizadoras da agenda de Lula na capital, que terá a participação também do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.







Nas últimas semanas, Lula conversou com os deputados de centro Rodrigo Maia (DEM), Baleia Rossi (MDB), e Marcelo Ramos (PL), e com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, pelo menos duas vezes. Também fez reuniões por vídeoconferência com deputados do PT do Rio. Com Maia, a conversa foi intermediada pelo deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade), que ligou do próprio celular e colocou Lula para falar no viva voz.



Uma vez em Brasília, o círculo deverá se ampliar e pode incluir também o líder do PL e ex-aliado Valdemar da Costa Neto, hoje mais próximo de Jair Bolsonaro. Lula tem evitado falar de eleição e, segundo aliados, acha que é prematuro negociar alianças em meio à pandemia. Ainda assim, deve reiterar a disposição para se aproximar das forças do centro – e do Centrão. “Se não juntar a esquerda, o centro e parte da direita civilizada, a gente perde a eleição. Temos que trazer o Lula para o centro”, opina um aliado do ex-presidente.



Não há, por ora, sinais de que o PL de Valdemar vá debandar do governo Bolsonaro, ainda mais após receber a Secretaria de Governo, nas mãos da ministra Flávia Arruda. Aliados do político, porém, observam que Lula e Valdemar têm uma relação antiga, que remonta à eleição de 2002. Dizem, ainda, que o acordo do PL com Bolsonaro é de apoio à governabilidade, e que nada está decidido quanto à eleição de 2022.







O único partido do Centrão com que Lula ainda não estreitou contato é o PP, hoje mais ligado a Bolsonaro por questões eleitorais. Tanto o presidente da sigla, Ciro Nogueira (PI), quanto o presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), – dois ex-aliados de Lula no Nordeste – não deverão subir num eventual palanque de Lula, em razão de alianças locais que os colocam necessariamente contra o PT.



Para petistas, no entanto, o centrão não é um bloco único. O partido trabalha para estar bem posicionado caso os partidos que gravitam hoje ao redor de Bolsonaro decidam abandoná-lo, à medida que avancem as investigações na CPI da Covid.



Nessa estratégia, aliás, um personagem é fundamental – Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI. Renan lidera o que alguns costumam chamar de “MDB lulista”. Ao contrário de boa parte do seu partido, principalmente lideranças do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o senador elegeu-se em 2018 apoiando o PT e participando ativamente da campanha “Lula Livre” - ele gravou vídeos com o bordão poucos meses após a prisão do ex-presidente, em abril de 2018.







Renan e Lula já se falaram algumas vezes por telefone desde a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que anulou as condenações de Lula, mas não vão se encontrar pessoalmente em Brasília.



Aliados de ambos avaliam que um encontro, nesse momento, poderia minar a estratégia do senador de figurar como um relator imparcial. “Não sei se neste momento é bom ele [Lula] se encontrar com o Renan, se me perguntar eu direi para não encontrar”, disse um aliado de Lula, que pediu reserva de seu nome. “Renan não pode se encontrar com Lula nem em pensamento”, opinou, por sua vez, um aliado do senador.



Em seu discurso, na abertura da CPI, Renan afirmou que não seria um "Deltan Dallagnol". “O presidente [Bolsonaro] não vai ficar no centro de nenhum powerpoint. Não haverá forças tarefas. No futuro, não quero ser condenado por ter sido parcial”, afirmou.







Para seus aliados, se reunir com Lula na semana em que a CPI ouve os ex-ministros de Bolsonaro poderá gerar acusações de parcialidade ou suspeição semelhantes às que o senador faz contra a Lava Jato, e dar combustível aos governistas que pretendem sacá-lo da relatoria.



Questionado pela coluna na última sexta (30) sobre a vinda de Lula, Renan tergiversou. “Não estou sabendo da vinda do Lula. Se ele me convidar para conversar, eu irei. Converso com todo mundo, muito mais com o Lula, de quem sou amigo. E se conversarmos não será sobre CPI, onde seguirei como um relator isento”, afirmou.

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