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5/3/2021 14:02

Papa Francisco, em sua viagem mais arriscada e em plena pandemia, vai ao Iraque

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948 visitas - Fonte: O Globo

Ao pousar no aeroporto internacional de Bagdá nesta sexta-feira, o Papa Francisco iniciou uma das mais importantes, controversas e arriscadas viagens de seus oito anos de pontificado. Na agenda, visitas a locais de massacres de cristãos, reuniões com líderes islâmicos e um olhar sobre as origens bíblicas das maiores religiões do mundo. Ao mesmo tempo, o momento da viagem, em meio à pandemia do novo coronavírus, e as questões de segurança podem se sobressair mais do que gostaria o Vaticano.



O caminho de Francisco começa pelo bairro bagdali de Karrada, na Catedral da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde 58 pessoas morreram em 2010 em um ataque da rede terrorista al-Qaeda. No sábado, em Najaf, ele se encontrará com o aiatolá Ali al-Sistani, uma das principais lideranças xiitas no mundo árabe. Ao longo de seu pontificado, Francisco se aproximou de nomes influentes no islamismo, incluindo o imã da Mesquita de al-Azhar, no Egito, um dos mais importantes centros de estudos do Islã.

Um dos grandes momentos será a ida à cidade histórica de Ur: pela tradição bíblica, ali nasceu Abraão, apontado como o patriarca das três maiores religiões monoteístas do mundo: cristianismo, judaísmo e islamismo. Francisco ainda vai orar com representantes de comunidades religiosas minoritárias, como os yazidis.



No domingo, o Papa visitará a província de Nínive, no Norte iraquiano, parcialmente dominada pelo Estado Islâmico até 2017. Em sua capital, Mossul, milhares de cristãos foram mortos pelos extremistas, que também destruíram algumas das centenárias igrejas da cidade. Ali, prestará uma homenagem às vítimas da violência religiosa, e verá em primeira mão o longo processo de reconstrução da comunidade. Nesta quinta-feira, Francisco enviou uma mensagem pregando a reconciliação no país.

"Vou como peregrino (...) implorar ao Senhor perdão e reconciliação após anos de guerra e terrorismo (...) e vou a vocês como um peregrino da paz", disse o Pontífice na mensagem.



Na última escala, no Curdistão iraquiano, será realizada uma missa em um estádio de Irbil, cidade fundada há mais de 4 mil anos e que serviu de porto seguro para milhares de pessoas que fugiram do Estado Islâmico. Dali, voltará para Roma, marcando o fim de uma viagem que deveria ter ocorrido em2020, mas foi adiada por conta da pandemia.

— Toda uma comunidade e todo um país poderão acompanhar essa jornada pela imprensa e saber que o Papa está lá por eles, com uma mensagem de que é possível ter esperança mesmo nas mais complicadas situações — afirmou à imprensa o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni.

Lar de uma das mais antigas comunidades cristãs do mundo, o Iraque era o único dos países citados na Bíblia a jamais ter sido visitado por um Papa. No final dos anos 1990, João Paulo II esteve bem perto de fazer essa jornada, que acabou não se realizando. Hoje, quase 18 anos depois da queda do ditador, Francisco encontrará um país mais integrado à comunidade internacional, mas com sérias questões sociais.



Blindados

A preocupação central é a segurança. A guerra civil que se seguiu à invasão americana, em 2003, e, mais recentemente, a ofensiva do Estado Islâmico, ainda se fazem sentir. Os atentados são mais raros, mas fazem parte do cotidiano: no final de janeiro, uma explosão em Bagdá matou 32 pessoas. As disputas entre milícias armadas, que por vezes resultam em combates intensos e ataques contra instalações oficiais, são uma constante.

Um dos aeroportos usados por Francisco, o de Irbil, é alvo preferencial de foguetes, e na quarta, menos de 48 horas antes de sua chegada ao Iraque, dez projéteis caíram na base de Ain al-Assad, usada por militares dos EUA no país.

O Vaticano aposta que a segurança do Pontífice não será um problema. As rotas nas cidades serão isoladas e não haverá presença de público. Francisco também vai usar veículos blindados, e 10 mil agentes foram designados para a operação.

— A visita contém riscos, e o Papa vai correr esses riscos porque ele também se vê como um pastor, um pai, que vai até os que estão em dificuldades. Eu acredito que o governo iraquiano tomará todas as medidas para garantir que a viagem seja tranquila — afirmou à publicação American Magazine o cardeal Leonardo Sandri, da Congregação das Igrejas Orientais.



’Gesto extremo’

Outro ponto importante da visita é o sanitário: o Iraque acumula cerca de 700 mil infecções e 13 mil mortes por coronavírus, e está no meio de uma segunda onda da doença. Desde meados de fevereiro, há um toque de recolher nacional das 20h às 5h, de segunda a quinta, e restrições a todas as horas de sexta a domingo.

O Pontífice e sua comitiva já se vacinaram, mas o mesmo não se pode dizer dos iraquianos. As primeiras 50 mil doses da vacina produzida pelo laboratório Sinopharm, doadas pela China, chegaram ao país apenas na terça-feira, muito embora haja relatos de que políticos já foram imunizados de forma antecipada (e sigilosa).

A missa campal marcada para um estádio de Irbil, no domingo, também preocupa. Cerca de 10 mil pessoas devem acompanhar a celebração, quase nenhuma delas vacinada e em um país com baixo número de testes realizados.



Para infectologistas, os eventos — sejam reuniões com alguns cardeais ou milhares de fiéis — são um risco à estratégia iraquiana para conter a Covid, e passam uma imagem errada ao mundo, de que teria chegado o momento de afrouxar os cuidados. Mas, para o Vaticano, trata-se de um “gesto extremo” de amor.

— Não foi fácil, mas esse é provavelmente o primeiro momento possível para essa viagem. Foram tomadas todas as precauções de saúde, mas talvez a melhor forma de interpretar a viagem é como um ato de amor. Por esse povo, pelos cristãos. E todo ato de amor pode ser interpretado como um gesto extremo — afirmou Bruni.

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