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27/1/2021 12:12

Biden anuncia nova cúpula do clima em abril próximo. Pressão sobre Brasil vai crescer

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1530 visitas - Fonte: UOL

O presidente americano Joe Biden anunciará nesta quarta-feira a convocação de uma nova cúpula sobre o clima, a ser realizada no dia 22 de abril. A meta é a de ampliar a ambição em termos de políticas de redução de desmatamento e de emissões de CO2, além de incrementar o financiamento para países em desenvolvimento.



Diplomatas brasileiros consultados pela coluna indicaram que a medida da Casa Branca está sendo interpretada no governo brasileiro como um momento decisivo. Se optar por participar, o Brasil terá de mostrar um compromisso maior do que assumiu até agora em termos ambientais. Mas se decidir ficar de fora, consolidará sua posição como pária ambiental.

John Kerry, representante de Biden para meio ambiente, deixou claro que as ações tomadas por governos até agora não estão sendo suficientes. Em um discurso nesta quarta-feira durante o Fórum Econômico Mundial, o americano confirmou a existência dos planos da cúpula e insistiu que a comunidade internacional terá de reduzir seu consumo de carvão cinco vezes mais rápido até 2030 para que as metas possam ser atingidas.



Kerry também atacou atitudes "negacionistas" e insistiu que Biden está ciente de que "não tem tempo a perder". "Ações domésticas não são suficientes. Precisamos ter uma estratégia global", afirmou. "Precisamos de uma mobilização equivalente a de uma guerra", defendeu.

O americano indicou ainda que, numa ordem executiva que será assinada ainda nesta quarta-feira, a questão do meio ambiente será estabelecida como "centro da política externa e de defesa" dos EUA.
Kerry, porém, evitou dizer qual será o compromisso de Washington em termos de redução de emissões para 2030 e 2050.



Cúpula marcará retorno dos EUA

Negociadores ainda consideram que o gesto de Biden em chamar uma cúpula significa ainda que a Casa Branca quer marcar seu retorno ao palco internacional.

Kerry, porém, rejeita a tese da liderança única no tema ambiental. "Esse é um caso de uma liderança multilateral. Ninguém pode fazer nada sozinho", disse, em Davos.

Horas antes do anúncio de Kerry, Davos recebeu o vice-presidente, Hamilton Mourão, também para falar sobre meio ambiente. Em seu discurso, porém, o representante brasileiro insistiu que as operações lideradas pelo governo estavam dando resultado na Amazônia e que houve uma queda de 17% no desmatamento no segundo semestre de 2020.



De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a área desmatada chegou ao nível anual mais alto desde 2008 — um total de 11.088 km² entre agosto de 2019 e julho de 2020.

Al Gore, UE, Haia, Macron e parlamentos pressionam
Em 2019, na única participação de Bolsonaro em Davos, o presidente foi flagrado em uma conversa com o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore. Ao ser questionado pelo americano sobre a questão do desmatamento na Amazônia, Bolsonaro afirmou que estava interessado em "explorar" o local, junto com o governo americano. Confuso diante da resposta, Gore admitiu que não entendeu o que aquilo significava. O vídeo viralizou.



Mas o governo brasileiro vem sendo alvo de uma forte pressão internacional também nos meios diplomáticos e econômicos por conta da situação do desmatamento que, em 2020, atingiu patamares elevados. Na Europa, parlamentos nacionais e regionais têm aprovado moções para impedir que o bloco feche um acordo comercial com o Mercosul.

Às vésperas da participação de Mourão em Davos, ex-ministros brasileiros se uniram para enviar uma carta aos governos europeus pedindo ajuda no que se refere ao desmatamento. No fim de semana, caciques brasileiros submeteram ao Tribunal Penal Internacional uma queixa contra Bolsonaro, por conta da situação dos indígenas e do desmatamento.



Nesta semana, a Comissão Europeia voltou a anunciar que vai estabelecer leis que impedirão empresas importar commodities ou insumos se não provarem que os produtos são sustentáveis.

Já o presidente Emmanuel Macron, da França, deixou claro que seu governo não ratificaria o tratado com o Mercosul nas atuais condições do desmatamento no Brasil e iniciou uma política para reduzir a compra da soja brasileira. O Itamaraty considera que Paris usa a agenda ambiental para camuflar uma política protecionista.

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