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3/9/2020 10:24

Derrota diplomática para Bolsonaro: Teich é rejeitado para investigar OMS

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1443 visitas - Fonte: UOL

O ex-ministro da Saúde Nelson Teich não foi escolhido para fazer parte de uma comissão que irá investigar a resposta da OMS (Organização Mundial da Saúde) diante da pandemia no novo coronavírus.

O veto é uma derrota para a diplomacia brasileira que esperava colocar o especialista na iniciativa e chegou a fazer campanha nos bastidores para que seu nome fosse aprovado.


A lista dos peritos foi divulgada na manhã de hoje (no horário de Brasília), numa reunião fechada entre governos em Genebra, na Suíça. Nenhum brasileiro fará parte do comitê, que contará com dois latino-americanos.

A "candidatura" do nome escolhido por Jair Bolsonaro estava sendo interpretada como uma espécie de teste da relação entre a comunidade internacional no setor de saúde e o governo em Brasília.

No lugar dele estará Mauricio Cárdenas, ex-ministro de Finanças da Colômbia, além de Ernesto Zedillo, ex-presidente do México. Nomes da China, Índia e África do Sul farão parte da iniciativa.
Uma investigação sobre o comportamento da OMS diante da pandemia foi uma das exigências dos governo dos EUA. A Casa Branca insistiu que a agência falhou em alertar ao mundo e que sofreu pressões da China para não declarar uma emergência global mais cedo.


Mas, mesmo com o projeto de revisão do sistema, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou sua retirada da entidade. Em maio, o inquérito foi aprovado em uma resolução que também contou com o apoio do governo brasileiro e europeus.

Há um mês, a entidade escolheu as personalidades que irão liderar o processo independente: Helen Clark, ex-primeira-ministra da Nova Zelândia, e Ellen Johnson Sirleaf, ex-presidente da Libéria.

Elas, porém, contarão com uma espécie de comissão e foi para esse grupo que Teich estava sendo indicado. O brasileiro permaneceu por apenas algumas semanas no Ministério da Saúde. Durante seu breve período, ele acenou para recomendações da agência internacional.


Mas Teich sofria a resistência de outros países latino-americanos e mesmo de membros da comunidade internacional que viam com desconfiança um ex-ministro do governo Bolsonaro assumindo o papel.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, deixou claro que a avaliação não será apenas limitada à agência. A meta é também de avaliar até que ponto governos seguiram ou não as recomendações da agência.

O Brasil estaria na mira justamente desse trabalho e críticos alertavam que poderia haver um choque de interesses.

Havia ainda quem resistisse à ideia de um representante de Bolsonaro, um líder que é visto como adotando uma postura contra o fortalecimento do multilateralismo.

Além disso, havia um temor de governos da região de que seu nome brasileiro fosse uma forma de o governo americano ter apoiadores dentro do projeto de inquérito. Teich, por sua parte, não compartilhava a posição do presidente Bolsonaro ou do chanceler Ernesto Araújo de rejeição a um papel maior da OMS.


Membros

O comitê, além dos dois latino-americanos, será composto por Aya Chebbi (Tunísia), Mark Dybul (EUA), Michel Kazatchkine (França), Joanne Liu (Canadá), Precious Matsoso (África do Sul), David Miliband (Reino Unido), Thoraya Obaid (Arábia Saudita), Preeti Sudan (Índia) e o chinês Zhong Nanshan.

No total, governos e entidades apresentaram 120 candidatos às vagas. "Hoje, temos o prazer de apresentar onze excelentes peritos representando uma rica experiência de saúde e perspectivas mais amplas da sociedade", disse Ellen Johnson Sirleaf.

Os nomes foram escolhidos com base em suas experiências em resposta a surtos, gerenciamento de sistemas nacionais de saúde, liderança na juventude e engajamento comunitário, capacidades analíticas sócio-econômicas, conhecimento sobre o sistema internacional incluindo a OMS e experiência de processos internacionais similares. Sirleaf deixou claro que o grupo fará um "trabalho independente e imparcial" sobre a resposta da OMS à pandemia. Num recado, ela alertou que os nomes escolhidos "não representam suas instituições e governos".


"Esperamos trabalhar intensamente juntos em um momento chave da história", afirmou Sirleaf. "Para honrar os mais de 25,6 milhões de pessoas que adoeceram e mais de 850.000 que morreram devido à COVID-19, não temos tempo a perder", completou.

O grupo realizará sua primeira reunião em 17 de setembro e um documento final com propostas será apresentado em meados de 2021. Os peritos irão buscar informação e de uma "ampla gama de interessados, incluindo dos estados membros da Organização Mundial da Saúde (OMS), especialistas em saúde, economistas, especialistas em impactos sociais da pandemia, da sociedade civil, do setor privado e do público em geral".

Helen Clark explicou que o objetivo é "aprender tudo o que pudermos sobre seu surgimento precoce, disseminação global, impactos na saúde, econômicos e sociais, e como tem sido controlado e mitigado".

Segundo ela, as recomendações do grupo terão como objetivo "apoiar a gestão eficaz da pandemia e fortalecer como o mundo pode se preparar para e responder a futuras pandemias".

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