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27/8/2020 21:00

Diferente do Brasil, a maioria dos países aprova o desempenho de seus governos durante a pandemia

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960 visitas - Fonte: Folha de São Paulo

Pesquisa ouviu 14 mil pessoas em 14 países desenvolvidos; americanos e britânicos são os mais críticos

Um estudo publicado nesta quinta-feira (27) mostra que a maioria da população de 14 países desenvolvidos aprova o desempenho de seu país no combate ao coronavírus, mas acredita que a pandemia deixou a população dividida.


O levantamento foi realizado pelo Pew Research Center, centro de pesquisas americano, e é baseado em entrevistas com cerca de 14 mil pessoas entre junho e agosto de 2020 na Alemanha, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Bélgica, Dinamarca, Espanha, EUA, França, Holanda, Itália, Japão, Reino Unido e Suécia.

Os entrevistados responderam a quatro perguntas: se o governo agiu bem no combate ao coronavírus, se o país está mais dividido ou unido após a pandemia, se o dia a dia mudou muito ou pouco por conta da doença, e se mais cooperação internacional teria reduzido o número de casos.


Em média, 73% das pessoas aprovam a estratégia contra a Covid em seu país, com os menores índices registrados no Reino Unido (46%) e nos EUA (47%).

?No Reino Unido, o governo tardou em adotar medidas contra a pandemia, apostando que a “imunidade de rebanho” seria o suficiente para proteger a população, mas depois voltou atrás. Hoje, o país tem 330 mil casos, com 41 mil mortes, de acordo com o site Worldometers


O presidente dos EUA, Donald Trump, minimizou a gravidade da doença, e pressionou para que estados adotassem medidas menos restritivas. O país é líder no mundo em casos e mortes, com 6 milhões de contaminados e 183 mil óbitos.

Esses dois países também registraram um nível alto de polarização política. Nos EUA, 76% das pessoas que costumam votar no Partido Republicano, legenda de Trump, acreditam que o governo fez um bom trabalho, contra 25% dos democratas.

No Reino Unido, 55% dos eleitores de direita acham que o governo do primeiro-ministro conservador, Boris Johnson, agiu bem durante a crise sanitária. Apenas 26% dos eleitores de esquerda compartilham dessa opinião.


Na Espanha, onde o governo do socialista Pedro Sánchez está no poder, a percepção se inverte: 73% dos espanhóis à esquerda acham que o governo fez um bom trabalho, enquanto 40% das pessoas à direita aprovam o desempenho. Na média, 54% dos espanhóis acreditam que o governo agiu bem. O país ibérico foi um dos mais atingidos pela pandemia, com 450 mil casos e 28 mil mortos.

As populações que mais aprovam o desempenho de seus países foram a da Austrália (94%) e da Dinamarca (95%). A Austrália, país de 25 milhões de habitantes, impôs medidas rápidas contra o coronavírus em março, fechando as fronteiras e serviços não essenciais, além de um "lockdown" na sua segunda maior cidade, Melbourne. Hoje, são 25 mil casos e 570 mortes no país.

Já a Dinamarca, com 5,8 milhões de habitantes, foi um dos primeiros países da Europa a fechar fronteiras e declarar quarentena, e também um dos primeiros a sair dela, reabrindo escolas em 15 de abril. O país escandinavo tem 16 mil casos e 620 mortes.


A pesquisa também apontou que 48% da população acredita que seu país sai mais dividido do que unido da pandemia. Esse número é maior nos EUA, onde 77% das pessoas concordam com a afirmação, e menor na Dinamarca, onde apenas 25% enxergam mais divisão.

Entrevistados que acreditam que o governo agiu mal no combate ao coronavírus tendem a achar que seu país sai mais dividido da pandemia. É o caso na Coreia do Sul, onde apenas 14% reprovam a estratégia do governo, mas destes, 75% enxergam mais divisão. Entre os 86% da população que acredita que o governo agiu bem, 71% acham que o país sai mais unido.

A Coreia do Sul foi elogiada pelos seus esforços no combate à doença, com alto número de testes e implementação rápida de restrições. O país de 51 milhões de habitantes tem 18 mil casos e 313 mortes.

Para a maioria da população, o coronavírus mudou muito seu dia a dia, diz o estudo. Afirmam que o vírus mudou “muito” ou “razoavelmente” as suas vidas 58% das pessoas em todos os 14 países. Os sul-coreanos (86%) e os suecos (71%) foram os que se sentiram mais afetados pela crise.


A estratégia do país escandinavo contrastou com a de seus vizinhos. A Suécia não adotou restrições pesadas, sem fechar bares nem restaurantes, e hoje tem 83 mil casos e 5.000 mortes, a quinta maior taxa de óbitos por milhão de habitantes da Europa. Entretanto, 71% da população aprova o desempenho do país, abaixo da média, mas maior que outros europeus, como França (59%), Espanha (54%) e Reino Unido (46%).

Os países cuja rotina menos mudou foram a Dinamarca, onde 73% disseram que o vírus afetou “pouco” ou “em nada” suas vidas, seguida da Alemanha, onde 61% viram pouca ou nenhuma mudança. Os dois países tiveram restrições fortes, mas já as afrouxaram: a Alemanha reabriu escolas no dia 3 de agosto.

Dinamarca e Alemanha também têm a menor diferença de resposta entre homens e mulheres, que costumam trabalhar mais em tarefas domésticas e no cuidado com os filhos. São 8 e 6 pontos percentuais de diferença, respectivamente.

Já na Suécia e nos EUA, o estudo apontou uma distância de 15 pontos percentuais entre as respostas, com mulheres dizendo que sua vida mudou mais do que homens.


Por fim, 59% dos entrevistados acreditam que mais cooperação internacional teria reduzido os casos de coronavírus no mundo. Essa percepção é mais forte na Europa, onde Bélgica (71%), Reino Unido (67%) e Espanha (65%) lideram o ranking. A falta de coordenação no bloco europeu é indicada como uma das razões da rápida expansão da doença pelo continente, partindo do foco inicial, na Itália.

Entretanto, os dinamarqueses, australianos e alemães são mais pessimistas, com a maioria dizendo que mais cooperação não teria feito diferença. Na Dinamarca, 78% dos entrevistados pensam assim, com 59% na Austrália e 56% na Alemanha.

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