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12/8/2020 13:25

Em depoimento, Flávio Bolsonaro cita comissão já extinta na Alerj para justificar assessor suspeito de ser fantasma

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1881 visitas - Fonte: O Globo

RIO — Em depoimento ao Ministério Público do Rio, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) afirmou que um assessor de seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, suspeito de ter sido funcionário-fantasma, ajudou nos trabalhos de uma comissão que, segundo O GLOBO apurou, funcionou seis anos antes de ele ter sido nomeado.





Aos promotores que investigam o caso da “rachadinha”, Flávio citou como exemplo de atribuição de Wellington Sérvulo Romano da Silva o auxílio em um comissão que tratou de agentes expulsos da Polícia Militar. O colegiado, segundo os registros da Alerj, funcionou de 25 de junho a 10 de dezembro de 2009. Sérvulo, no entanto, esteve nomeado no gabinete de Flávio entre abril de 2015 e setembro de 2016.



“Teve uma época que fiz uma comissão especial para rever as exclusões na PM, exclusões injustas na Polícia Militar. Ouvimos dezenas de policiais. O Sérvulo trouxe alguns casos para nós. Inclusive, se não me engano, em torno de dez ou 12 chegaram a ser integrados por conta desse trabalho que a gente fez na comissão”, disse o senador no depoimento, que ocorreu em 7 de julho.





Antes desta resposta, Flávio havia argumentado que uma das funções de seus funcionários era a de apresentar a ele demandas de setores como a Polícia Militar:



“O critério para vir trabalhar no gabinete parlamentar, além do critério técnico e da competência, é o critério da confiança. O Sérvulo sempre foi uma pessoa com uma proximidade do (Fabrício) Queiroz, uma pessoa que gosto muito e trabalhava para mim também nesse tipo de (coisa de) trazer demandas de policiais militares para o gabinete”.



De acordo com um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Sérvulo repassou R$ 1,5 mil a Queiroz em 2016. O documento mostra ainda que ele movimentou R$ 1,59 milhão de janeiro de 2015 até 2018.





Segundo a TV Globo, no período em que esteve nomeado por Flávio, Sérvulo passou 248 dias em Portugal. A Alerj jamais foi informada sobre qualquer licença. Aos promotores, Flávio afirmou que Sérvulo “não comparecia diariamente” e que, quando foi nomeado, tinha direito a férias anteriores e a licenças. O senador disse ainda que o ex-assessor morava no Brasil, mas alguns familiares dele viviam em Portugal.



Logo no início do depoimento, o senador foi questionado sobre quem foram e como escolheu seus chefes de gabinete. Flávio respondeu que não se recordava:“São cargos em confiança. Então logo no início do mandato, formação de equipe, não lembro agora, de cabeça, as pessoas que passaram na chefia de gabinete minha, mas sempre com critério ali de competência, proximidade, entendimento de legislação militar”, afirmou ele, ao dizer que o último foi o coronel Miguel Ângelo Braga Grillo.





Ele não citou Mariana Mota que foi chefe de gabinete de fevereiro de 2003 até dezembro de 2007. Ela é amiga de Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro. Os promotores avaliaram após as quebras de sigilo que Mariana fazia o papel de operadora antes do Queiroz. Foi com isso que o MP pediu que ela fosse incluída entre os alvos de busca e apreensão em dezembro do ano passado.



Na mesma ocasião, a loja de chocolates de Flávio e os endereços do subtenente da PM Fabrício Queiroz junto e de sua família também foram alvo dos mandados. No pedido ao juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal, o MP-RJ afirmou que no último ano em que foi assessora de Flávio, janeiro de 2007 e março de 2008, ela chegou a receber 15 transferências em sua conta, no total de R$ R$ 39,4 mil, de outro assessor. Eles também apontam diversos saques em espécie feitos por ela dentro do caixa da Alerj. Ela sacou 40% do total recebido.





A defesa do senador disse que “tem recebido com perplexidade as notícias de vazamento das peças e áudios do procedimento que tramita sob sigilo”. Os advogados afirmam ainda que não vão mais permitir registros em vídeo dos depoimentos de Flávio. O GLOBO apurou que a defesa apresentou uma reclamação ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) sobre o assunto.



Íntegra dos advogados de Flávio Bolsonaro:



"A defesa do senador Flávio Bolsonaro tem recebido com perplexidade as notícias de vazamento das peças e áudios do procedimento que tramita sob sigilo, o qual é reforçado e afiançado às partes, pelos próprios membros do Ministério Público, ao início de cada ato processual. Em tendo sido provada a ineficiência do sigilo imposto judicialmente à investigação, esclarece a defesa que a partir deste momento não serão mais permitidos os registros audiovisuais do Senador durante as suas manifestações procedimentais, além do que ainda esta semana representará aos órgãos de correição do MPF para que apure a falta e o delito, se houver". Assinam a nota os advogados Rodrigo Roca, Luciana Pires, Juliana Bierrenbach e Renata Azevedo

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